Peleja de Riachão com o diabo (ladainha)

Iêêêê

Riachão tava cantando
Na cidade de Açu,
Quando apareceu um nego
Da espécie de Urubù.
Com a camisa de sola,
A calça de couro cru.

Beiços grossos revirados
Como a sola de um chinelo,
Um olho muito encarnado,
o outro bastante amarelo.
Convidou o Riachão
Para ir cantar martelo.

Riachão disse eu não canto
Com nego desconhecido,
Você pode ser escravo
Que tá por aí fugido.

(Diabo) Isso é dar fala a Nambú (bis),
Puxa já nego enxerido.
Eu sou livre como o vento,
A minha linhagem é nobre.
Nasci dentro da nobreza,
Não sai da raça pobre.

(Riachão) Você nega é porque quer (bis),
Está conhecido demais.
Se você não for cativo
Me diga o que você faz
Seja livre ou seja escravo.

Eu quero cantar martelo.
Afine sua viola,
Vamos entrar em duelo.
Sò com a minha presença
O senhor já tá amarelo.

Camará!

Annunci

Permangolando dal 24 al 30 gennaio 2012 nel Kilombo Tenondé

Dal 24 al 30 gennaio, nel Kilombo Tenondé (Valença, Bahia) avrà luogo il quinto Permangola, un appuntamento annuale che unisce la Capoeira Angola alla permacultura, sotto la direzione di Mestre Cobra Mansa.

L’evento, giunto alla sua quinta edizione, offre l’opportunità unica di immergersi in entrambi questi universi, tra i cui principi esistono molte somiglianze.

Permangola consiste in una serie di laboratori di introduzione a sistemi alternativi di costruzione, agricoltura ed energia sostenibile usando le conoscenze indigene e africane, applicando tecniche tradizionali, e una serie di laboratori di Capoeira Angola, incluso la costruzione di berimbau e caxixis.

Parteciperanno all’evento M. Valmir e M. Jurandir della FICA, altri mestres ospiti ed esperti in permacultura.

Kilombo Tenondé

Oltre ad essere un centro dedicato alla capoeira angola e alla permacultura, il Kilombo Tenondé offre l’opportuntà di creare, pensare, rigenerare le proprie energie ricostruendo quelle strutture comunitarie che sono andate perse, in un rifugio dall’insensibilità creata dalla società industriale.

Il termine Kilombo deriva dal nome dato alle comunità autosufficienti create dagli Africani in Brasile nell’epoca coloniale per salvarsi dalla schivitù e oppressione. I kilombo si basavano sui principi fondamentali delle ideologie africane e, con l’appoggio delle popolazioni indigene brasiliane, diventarono dei focolai di opposizione al potere coloniale.

Dice il Mestre: “Tutti sono benvenuti a Permangola, capoeiristi e non, ma qualsiasi persona che pensi che un mondo migliore è possibile.”

Info e contatti

Dettagli sul prossimo Permangola: in italiano e in portoghese
Informazioni sul Kilombo Tenondé: http://www.kilombotenonde.com/

Per ulterioni informazioni (portoghese e inglese): cobramansa@hotmail.com
Foto: ©  cobramansa tutti i diritti riservati

Certo dia perguntaram a seu Pastinha

Iêêêê

Certo dia perguntaram a seu Pastinha
O que era a capoeira
Ele, mestre velho e respeitado
Ficou um tempo calado
Revirando em sua alma
Depois, ele respondeu com calma
Em forma de ladainha

A capoeira
É um jogo, é um brinquedo
É se respeitar o medo
É dosar bem a coragem
É uma luta
É manha de mandigueiro
É um vento no veleiro
É um lamento na senzala
É um berimbau bem tocado
É um corpo arrepiado
É um soriso de um menino

A capoeira
É o vôo do passarinho
É bote da cobra coral
É sentir na boca
O gosto do perigo
É sorrir para o inimigo
É apertar a sua mão

A capoeira
É um grito de Zumbi
Ecoando no quilombo
É si levantar do tombo
Antes de chegar no chão
É o ódio
Esperança que renace
Uma tapa  que explodiu na face
E vai arder no coração

Em fim é aceitar o desafio
Com vontade de lutar
A capoeira é um barco pequeninho
Solto nas ondas do mar
É um peixe pequeninho
Só pelas ondas do mar

Camará!

Una piccola fiamma in grado di provocare una grande esplosione

“A capoeira é como se fosse uma pequena chama, que encontrasse uma palha e ai ela causa esse grande incêndio, que é o incêndio da descuberta, o incêndio da luz.” M. Cobra Mansa

Questo video è stato realizzato dalla rivista Quilombo! Arte y Cultura Afro di Buenos Aires, in occasione di un incontro di capoeira angola con Mestre Cobra Mansa nel novembre 2009.

Vari gli spunti di riflessione che il Mestre offre nell’intervista, appropriata, penso, per iniziare un nuovo anno con un messaggio positivo e una rinnovata coscienza -o un rinnovato entusiasmo di scoprire- cosa vuol dire essere capoeirista, della forza di questa tradizione che stiamo conoscendo, di questa “fiamma che provoca l’incendio della scoperta, l’incendio della luce…”